Linha de Pesquisa PATRIMÔNIO CULTURAL e PRESERVAÇÃO

Abordagens de cunho teórico e historiográfico sobre a preservação e conservação do patrimônio cultural arquitetônico e urbano, em suas manifestações tradicionais e recentes. Perspectiva multidisciplinar, discutindo teorias da preservação e conservação do patrimônio cultural, historiografia e crítica, perspectiva multidisciplinar, técnicas e tecnologia, processos de museificação, processos de patrimonialização, turismo e indústria cultural, gestão do patrimônio.

28 de Maio de 2021

Este projeto de pesquisa investiga a ocorrência de sistemas de ordem emergente na construção moderna brasileira — da segunda metade do século XVIII à primeira metade do século XX —, avaliando a possibilidade de estes sistemas oferecerem respostas descentralizadas e low tech aos problemas atuais da sustentabilidade urbana.

Integrantes
Pedro Paulo Palazzo (Coordenador)
Camila de Queiroz Pimentel Lopes
Irina Alencar de Oliveira
Sylvio Carneiro de Farias
Ana Caroline dos Santos Paiva
Flávia Rosa de La Plata
Iriani Jéssica Pinto Gangá
Mariana de Fátima Macedo Nunes de Azevedo
Tainá Lourenço de Abreu
Financiamento
CNPq (bolsa)

Resumo: 

A prática preservacionista foi, durante mais de um século, campo de atuação praticamente exclusivo de arquitetos. Inicialmente restrito aos edifícios de uma chamada arquitetura maior, na medida em que o século XX avançava foi se expandindo enquanto prática e reconhecendo como patrimônio, em decorrência da sua abertura para outras áreas do conhecimento, entre as quais o Urbanismo, a Sociologia, a Arqueologia, a Geografia, o Direito, a Antropologia e a Ciência Política, bens móveis, natureza, cidades e, mais recentemente, paisagens e manifestações culturais intangíveis. Apesar das suas diversas expressões, interessa a essa pesquisa, especificamente, a cidade como patrimônio, feita objeto de uma análise de caráter simultaneamente micro e macro, apoiada na aproximação da Arquitetura e Urbanismo com as disciplinas da Antropologia e da Ciência Política, respectivamente. Tal interesse pela cidade como patrimônio se justifica, prioritariamente, pelos dados da ONU - Organização das Nações Unidas (2018), que apontam para uma crescente urbanização da população mundial, o que sugere serem os centros urbanos o lugar, por excelência, da vida humana e, consequentemente, da manifestação de seus problemas e soluções. Justifica-se, ainda, porque a cidade sempre foi o lócus de ação de arquitetos e urbanistas e, pelo menos desde os anos sessenta do século passado, após a Carta de Veneza, 1964 (CURY, 2000), vem assumindo cada vez mais proeminência nas questões preservacionistas. Entretanto, quando merece atenção de arquitetos e urbanistas atuantes no campo da preservação do patrimônio, a cidade, ou parte dela, tem sido vista, majoritariamente, como bem cultural objeto de intervenção arquitetônica e/ou urbanística, de políticas públicas e legislações específicas nos níveis nacional (FONSECA, 2005) ou local (RIBEIRO, 2005; REIS, 2001, no caso de Brasília), raramente como instrumento de desenvolvimento local e inserção internacional (MEDEIROS, 2002) e, com frequência, palco de expressões intangíveis. Assim, o presente projeto de pesquisa propõe uma aproximação com a Antropologia, do ponto de vista da microanálise, do município em si mesmo, no sentido de ir além do entendimento da cidade patrimônio como espaço de manifestações imateriais. Isso porque, para o arquiteto e urbanista, o diálogo entre os campos do Patrimônio Cultural e da Antropologia parece encontrar alicerce no “Turista Aprendiz”, de Mário de Andrade (ANDRADE, 2015), ainda nos anos quarenta dos mil e novescentos. Como é sabido, é de Mário de Andrade o primeiro texto de institucionalização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN, que é preterido em função do Decreto-lei n0 25, de 1937, por ter sido considerado muito “avançado” para a época. Esse passado partilhado entre Arquitetura e Antropologia, bem anterior aos trabalhos de Gilberto Velho e a sua Antropologia Urbana, talvez tenha limitado o entendimento do arquiteto e urbanista, acerca da potencial contribuição antropológica ao campo preservacionista, à dimensão imaterial dos bens culturais. Pesquisas mais recentes (DE SOUZA SANTOS, 2020; ALBERT, 2017), nem sempre (re)conhecidas na área da Arquitetura e Urbanismo, têm demonstrado o valor intrínseco do estudo antropológico e etnográfico para a preservação das cidades patrimônio – sobretudo as médias - ao atestarem o lugar de destaque da governança local e ampliarem a sua centralidade às questões da sua operacionalização, desvendando-lhes a natureza em relação à qualidade e ao significado da participação cidadã nos processos decisórios relativos à prática preservacionista, dentro do planejamento e projeto do espaço urbano. Sob esse ponto de vista antropológico, a cidade como lócus para a política, de uma maneira geral, e preservacionista, em particular, ganha novos contornos, exigindo do Arquiteto-Deus uma postura menos técnica e mais humana de escuta e atenção a um outro, detentor de um discurso não-oficial, cidadão. Como demonstrado por De Souza Santos (2019), ao deixar em segundo plano o primado do especialista, as tensões entre as demandas provenientes da cidade patrimônio real, vivenciada cotidianamente pelos seus moradores, e a cidade patrimônio turística ou “empresarial”, afloram. De fato, o processo de construção social do patrimônio cultural se efetua alicerçado em temporalidades, onde o binômio passado/futuro é uma constante. Na prática preservacionista, no planejamento e projeto do espaço urbano, para o especialista, o técnico, o arquiteto e urbanista, o presente é sempre o tempo de preservar o passado, materializado na cidade patrimônio, para o futuro. Para o cidadão comum, no entanto, o presente é o tempo do agora, da cidade à qual é premente somar transporte público, saneamento básico ou moradia e diminuir poluição ou violência. No discurso do saber competente, a narrativa positiva na tessitura do passado e do futuro têm sido usada como instrumento capaz de suprir as muitas insuficiências, negatividades, de um tempo presente. (Nilsen, 2011 apud DE SOUZA SANTOS, 2019). Nesse sentido, o projeto propõe responder, na escala micro, por meio de uma perspectiva ao mesmo tempo arquitetônica, urbanística e antropológica/etnográfica, a seguinte questão: de que maneira se dão na(s) cidade(s) patrimônio(s) as temporalidades da construção social e política da prática preservacionista, no planejamento e projeto do espaço urbano, estando essa atada, de um lado, à polaridade passado/futuro e, de outro lado, ao presente? Quanto à escala macro e a aproximação com a Ciência Política essa se explica de duas maneiras. Primeiro, pelo aporte que as recentes teorias, acerca da heterogeneidade do Estado Brasileiro (ABERS, 2000) ou da sociedade civil (RICH, 2019), representam para ajudar a explicar processos de governança no nível local. Segundo porque, conforme demonstrado por Medeiros (2002), a espacialização política do processo de construção social da prática preservacionista e seus reflexos no planejamento e projeto do espaço urbano, há muito não se dá apenas no nível micro, nas esferas do Estado Nacional ou dos municípios. Daí a proposta da pesquisa em privilegiar, também, a dimensão macro, global, cujo poder na edificação do patrimônio cultural também é operacional. (MEDEIROS, 2002). É Acuto (2013) quem eleva a cidade, por meio de um dos ramos da Ciência Política, as Relações Internacionais, à categoria de componente fundamental da governança global. Segundo o autor, a cidade não deve ser vista apenas como o lócus para a política, mas como ator na política, conectando processos entre escalas micro (locais) e macro (globais) no enfrentamento de questões de interesse mundial. O foco das pesquisas do autor são as chamadas cidades globais, observadas a partir do problema do aquecimento, do clima. Mas, seria esse protagonismo válido quando se pensa em cidades não globais e na prática preservacionista? Aqui, no projeto de pesquisa, lança-se uma dupla hipótese. De um lado, a de que a preservação do patrimônio cultural, pelo menos desde a Convenção da Unesco de 1972 (CURY, 2000) que instituiu a Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade, constitui, assim como o clima, um desafio contemporâneo, local e global. De outro lado, a de que para se assumir como ator na política, a cidade não precisar ser, necessariamente, global. Na perspectiva macro, de aproximação com a Ciência Política, ao projeto interessa entender qual o papel da política preservacionista nas conexões entre cidade(s) e a governança global. Seria a cidade ator político capaz de influenciar a geografia preservacionista global e, por consequência, o planejamento do projeto do espaço urbano? Seria possível falar de governança global no campo preservacionista?

Integrantes: 

Ana Elisabete de Almeida Medeiros (coordenador)

Financiamento: não

Resumo:

(sem texto)

Integrantes: Vanda Alice Garcia Zanoni

Financiamento: CNPQ; FAP-DF

Resumo:

Considerando que o Conjunto Urbanístico de Brasília possui valor excepcional, como um sitio cultural e que deve ser protegido para o benefício da humanidade, a pesquisa objetiva questões sobre a importância de se preservar não somente o significado histórico, artístico e cultural implícito no desenho original de Lucio Costa, mas associar ao projeto de educação patrimonial do DF as histórias da pré-existências da formação do DF, além das culturas que foram trazidas pelos candangos e incorporadas como saberes locais das 32 regiões administrativas do DF. Desta maneira, objetiva fomentar as relações socioculturais entre as regiões administrativas do DF. Além disso, busca promover uma articulação entre a Universidade de Brasília/Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, o IPHAN/DF/Nacional e as Secretariaria da Educação e de Cultura do DF por meio de ensino e pesquisa, a partir de programas de colaboração técnica e convênios. A pesquisa propõe a construção de material pedagógico que possa contribuir para a abordagem do tema “educação patrimonial” de maneira eficiente, lúdica e esclarecedora, a fim de sensibilizar as crianças nas primeiras fases de sua formação e, concomitantemente, situar a consciência de cidadania, implícita ao desenho da cidade. Além disso, permitir que os jovens adquiram as competências necessárias para promover a conservação do bens patrimoniais e culturais e, desta maneira, formem novas atitude, com vistas a estabelecer um compromisso permanente ao exercício da cidadania e que inclui o entendimento da preservação da cidade para as gerações presentes e futuras, e assim desempenhem um papel decisivo na salvaguarda de suas cidades.

Integrantes: 

Cláudia da Conceição Garcia

Financiamento: FAPDF (2016-2017) SECRETARIA DA CULTURA DO DF (2019)

Resumo:

A escala residencial de Brasília é um mosaico. Apesar da aparente homogeneidade morfológica entre as superquadras, a liberdade na concepção e implantação, desde que mantidos os princípios gerias definidos por Lucio Costa – gabarito uniforme de até seis pavimentos, pilotis livres, separação entre o trânsito de pedestres e de veículos, entrada única e cinturão verde de 20 metros em todo o seu perímetro-, gerou heterogeneidade. É comum a repetição de projetos dos blocos residenciais em diferentes superquadras, no entanto a disposição desses volumes e os espaços públicos resultantes de sua implantação variam enormemente. Assim, esta pesquisa estudar as distinções morfológicas existentes entre as superquadras, as formas de uso e de apropriação dos seus espaços livres públicos e, por fim, os significados atribuídos a unidade de vizinhança pelos seus usuários (moradores, trabalhadores e visitantes). Em sua primeira etapa, serão levantadas quatro unidades de vizinhança (16 superquadras), distribuídas entre as asa Norte e Sul. São elas: SQS 107, SQS 108, SQS 307 e SQS 308, SQN 205, SQN 206, SQN 405 e SQN 406, SQS 213, SQS 214, SQS 413 e SQS 414, SQN 111, SQN 112, SQN 311 e SQN 312. Acredita-se que, com isso, a pesquisa poderá trazer subsídios para se defender que as diversas formas de uso e manifestação de vitalidade das superquadras são parte integrante do patrimônio imaterial de Brasília, e como tal, devem ser inventariadas no sentido de registrar esse mosaico tão típico da cidade.

Integrantes: 

Flaviana Barreto Lira (coordenador)

Financiamento: não

Resumo:

As ações de reparo, recuperação e reforço de estruturas por sua própria natureza apresentam grande potencial de descaracterização do patrimônio, seja ele histórico ou moderno, ao demandarem a alteração das superfícies originais ou mesmo a substituição de partes inteiras da edificação em razão de avançados processos de degradação que tornam ações não-invasivas inapropriadas como solução de danos. Trincas devem ser seladas, ferragens corroídas substituídas, vazios preenchidos, pilares reforçados com aumento de dimensões e, por vezes, remoção de revestimentos ou das características da superfície original. Outras alterações, no entanto, advêm das ações de adaptação às exigências modernas de segurança, acessibilidade e conforto ambiental. Edifícios de diversas épocas têm sido adaptados para a garantida do acesso universal. E há aqui uma dicotomia que deve ser avaliada com critério. Permitir o acesso a todos não pode significar a descaracterização do patrimônio. O foco desta pesquisa, por encontra-se situada em Brasília, é a preservação da arquitetura moderna, um tema internacional em franca discussão. Nas últimas duas décadas muito se tem produzido no sentido de fundamentar as decisões relativas às formas de intervenção, bem como, a verificação da validade ou não das teorias relativas ao restauro tradicional aplicadas ao restauro da arquitetura moderna e autores como Susan MacDonald, John Allan, Theodore Prudon e Simona Salvo são referências fundamentais. O tema adaptação do patrimônio cultural para a acessibilidade é objeto de grande interesse e envolve além da adaptação do edifício, ações de adaptação da infraestrutura urbana de nossas cidades o que envolve praças, praias, edifícios, muitos deles patrimônios nacionais, como museus e centros culturais. Tais ações devem sempre ser precedidas de estudos a respeito das características físicas do patrimônio e, principalmente, de sua significância cultural, conceito chave que ora se pretende desenvolver e aliar a ferramentas que relacionem as características físicas e imateriais aos possíveis danos das intervenções para adaptação de modo a orientar as ações de intervenção no patrimônio cultural.

Integrantes: Oscar Luís Ferreira (coordenador)

Financiamento: não