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HISTÓRICO

 

A Criação (1962)

O Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (PPG-FAU) da Universidade de Brasília (UnB) data de 1962, sendo, portanto, sua criação simultânea à própria UnB - uma surpreendente conjunção entre a fundação da nova Capital (1960), de sua universidade e a implementação do primeiro curso de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo no Brasil.
Desde sua criação, o tema estruturante das pesquisas foi Brasília, sua arquitetura e seu território. Apesar da ênfase dada à nova capital do país, não se impunham restrições ao estudo de outros temas e objetos. No curso, as discussões teóricas e as realizações práticas respaldavam-se na construção da cidade e de seu campus universitário. O pós-graduando atuava como professor no curso de graduação, sendo supervisionado por professores mais experientes. Ao final de dois anos de estudos, ele apresentava o resultado de suas pesquisas na forma de uma dissertação submetida à defesa.
Nesta fase inicial, destaca-se o papel do Centro de Planejamento da Universidade de Brasília (CEPLAN), que se constituiu em um excepcional laboratório de projeto e estudos de tecnologia, desenvolvendo pesquisas na área de pré-fabricação da construção civil. Sob a direção de Oscar Niemeyer, os arquitetos e engenheiros que compuseram seu quadro inicial formaram a primeira turma de pós-graduandos do Mestrado, então, criado - muitos deles protagonistas da história da arquitetura moderna de Brasília (para mais detalhes ver item "8.2.1 Os Egressos de 1965").
Os primeiros anos de criação do Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da UnB eram impulsionados pelo dinamismo e criatividade que ritmavam a materialização da cidade em suas diferentes escalas. Contudo, os ventos favoráveis dos primórdios cessaram com o golpe de 1964. A Universidade de Brasília passou a alvo de atenção por parte dos militares, com invasões e pressões sobre seus professores. À época, seus dirigentes conduziram à demissão em massa dos professores que atuavam na pós-graduação, levando a experiência deste curso a suspensão das atividades em 1965, incluindo a própria interrupção do curso de graduação.

Retomada: Planejamento Urbano e Desenho Urbano

Somente em 1976, a pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília foi retomada. Nesta década, não eram muitos os cursos de pós-graduação na área, como atestam as datas de criação daqueles cursos de referência: FAU-USP (1972), PROURB-UFRJ (1993), UFMG (1995). O PPG-FAU/UnB é retomado com novo nome: Curso de Mestrado em Planejamento Urbano.
Em pleno "Milagre Brasileiro", com a atuação forte do Estado, o Planejamento Urbano tornava-se central nas políticas desenvolvimentistas diante de um país que se urbanizava com rapidez. Profissionais capazes de planejar as cidades, disciplinar o uso do solo, direcionar sua expansão e responder pelas demandas habitacionais e de saneamento eram necessários. O pacto entre as elites científicas, em geral de orientação esquerdista, e o governo militar possibilitou a formulação de políticas de investimento em ciência e tecnologia, incluindo o financiamento de estudantes para cursos no exterior. A aposta destes grupos ideologicamente divergentes era a transposição do cerco tecnológico do país. A formação destes quadros no exterior foi importante, pois voltaram com experiências em instituições contabilizadas pela clareza de formação nos níveis de mestrado e doutorado. Além da formação dos pesquisadores, recursos públicos eram aplicados na formação de pós-graduando e em pesquisas via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico - BNDE (1969), Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT (1971), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq (1975), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES (1976).
Nestas circunstâncias favoráveis, retoma-se o programa de pós-graduação da FAU-UnB como um segundo momento de sua história.
A ênfase no Planejamento Urbano e na História e Crítica da Arquitetura e do Urbanismo manteve-se até os anos 1980, quando o Desenho Urbano surgiu como percurso paralelo à pesquisa no âmbito da FAU-UnB. A expansão do quadro docente permitiu a diversificação de interesses e abordagens, como também de temas. Em virtude desse interesse formou-se o Grupo de Pesquisa Dimensões Morfológicas do Processo de Urbanização (DIMPU), a partir de pesquisa de mesmo nome, reunindo novos professores. A produção e dinamismo do grupo, assim como o número crescente de pós-graduandos interessados nestes estudos, propiciaram, em 1986, o surgimento de um outro mestrado, o Curso de Mestrado em Desenho Urbano. Portanto, a partir desta data, a pós-graduação da FAU-UnB apresentava duas opções diferentes para os postulantes a nele se ingressar: o Mestrado em Planejamento Urbano e o Mestrado em Desenho Urbano. A bifurcação do programa, ao contrário do que se poderia pensar, não representou sua fragilização. Ela era indicativa da própria ampliação dos estudos na área de Arquitetura e Urbanismo no Brasil, possibilitada pelo fortalecimento dos cursos de pós-graduação. O PPG-FAU trilhava, conjuntamente a outros programas de pós-graduação na área, caminhos convergentes.
Pode-se, até aqui, visualizar dois períodos no percurso da Pós-Graduação da Faculdade e Arquitetura da Universidade de Brasília: 1) 1962-1965, o momento de criação; e 2) 1976-1986, o momento de retomada e diversificação das abordagens de estudo, em concomitância com a profissionalização do sistema de pós-graduação no país.


Crescimento, expansão e composição atual


Um terceiro momento do PPG-FAU inicia-se nos anos de 1987 e se estende a 1995, coincidindo com a redemocratização do país. Novamente o curso de pós-graduação da FAU-UnB retoma sua estrutura anterior com um único programa, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPG-FAU). A estrutura do programa abrangia três áreas de concentração de pesquisa: 1) "Planejamento Urbano e Projeto Urbanístico", 2) "Tecnologia, Paisagem, Ambiente e Sustentabilidade", e 3) "Teoria, História e Crítica". A unificação do programa não significou perda ou prejuízos, pelo contrário, a diversificação das áreas de concentração de pesquisas demarcava campos de investigação que se ampliaram, sobremaneira.
Se, por um lado, a unificação trouxe um novo élan para o corpo docente e um patamar de produtividade inédito, por outro, nos anos seguintes, uma série de aposentadorias de professores e a não abertura de concursos para recompor o corpo docente levaram ao enfraquecimento, não da qualidade, heroicamente mantida por um punhado de abnegados, mas das áreas de concentração. As universidades públicas, de modo geral, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), passaram por dificuldades, com a sensível redução do quadro docente e ausência de concursos públicos. Apesar de todos os percalços deste período, o PPG-FAU logrou a aprovação do curso de Doutorado, contrariando a situação da época, o primeiro da região Centro-Oeste. A renovação do corpo docente do PPG-FAU/UnB foi possível a partir de 2007 quando foi instituído o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), que expandiu o número de vagas nas universidades públicas e contratou novos professores.
Assim, uma distância considerável havia se desenhado entre os anos de criação da pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo na UnB e a universidade brasileira do século XXI.
A contratação de professores a partir de 2009 e respectivo credenciamento de novos docentes no PPG-FAU/UnB trouxeram mais vitalidade ao programa, somando esforços no aprimoramento de sua estrutura e no enriquecimento de suas pesquisas, considerando a boa diversidade de doutores formados por outras universidades além da UnB. Ressalta-se ainda a constituição de novos Laboratórios de Pesquisa que se somaram aos existentes.
Em 2012, buscando ajustar o programa em virtude dos novos parâmetros alcançados pela pós-graduação no país, foram realizados oficinas e seminários com o objetivo de melhor definir as áreas de concentração de pesquisas, rever e reformular as linhas de pesquisa, bem como reestruturar o quadro de disciplinas visando à coerência entre área de concentração, as linhas de pesquisa e as disciplinas relacionadas.
O resultado destes encontros e de outros mais recentes é a atual composição do PPG-FAU que se explicita a seguir em áreas de concentração de pesquisas.

1. "Teoria, História e Crítica" (THC): reúne pesquisas em torno dos processos históricos de concepção, transformação e reflexão sobre arte, arquitetura e cidade. A formação nessa área transita desde os fundamentos epistemológicos e sociais da cultura material até a articulação crítica do pensamento sobre o patrimônio cultural, passando pelo estudo empírico e documental, com metodologias diversas e enfoque interdisciplinar, compreendendo recortes espaço-temporais diversos, com ênfase na região de Brasília em perspectiva diacrônica. As linhas de pesquisa estão apresentadas na sequência:
- "História e Teoria da Arquitetura" (HTA)
- "História e Teoria da Cidade e do Urbanismo" (HTCU)
- "Patrimônio e Preservação" (PaPre)
- "Estética, Hermenêutica e Semiótica" (EHS)
2. "Tecnologia, Ambiente e Sustentabilidade" (TAS) dedica-se aos estudos relativos a técnicas e processos ligados à produção da Arquitetura e do ambiente construído, com atenção à sustentabilidade. Cabem nesta área, os estudos dos sistemas estruturais no âmbito específico da Arquitetura e nas etapas da construção. As linhas de pesquisa são apresentadas em sequência:
- "Estruturas e Arquitetura" (EA)
- "Sustentabilidade, Qualidade e Eficiência do ambiente construído" (SQE)
- "Tecnologia de Produção do Ambiente Construído" (TPAC)
3. "Projeto e Planejamento" (PP) abrange os estudos sobre políticas, planos e gestão em escalas diversas, do edifício ao território. As pesquisas voltadas para o âmbito edilício envolvem estratégias projetuais, configuração, representação e acessibilidade. Os diversos temas dos estudos relacionados ao urbano, pode-se citar análises e proposições sobre planejamento urbano e territorial, legislação, reabilitação, regularização fundiária urbana e mobilidade. As linhas de pesquisa são apresentadas em sequência:
- "Habitação e Projeto Edilício" (HPE)
- "Paisagem, Território e Políticas Urbanas" (PTPU)
- "Configuração urbana, Apropriação e Participação Social" (CAPS)
Observa-se na atual estrutura do PPG-FAU as sobrevivências de sua origem e história. Por exemplo, as áreas de concentração "Teoria, História e Crítica" e "Projeto e Planejamento" estão presentes desde 1965, não com os mesmos nomes, mas enquanto temáticas de estudo e pesquisa; já os estudos nas áreas de Desenho Urbano são atualmente partes de PP. A criação da área de "Tecnologia, Ambiente e Sustentabilidade" assumiu as pesquisas de tecnologia na escala do edifício e ampliou o escopo aos estudos urbanos na medida em que se orientou pelo foco em sustentabilidade do ambiente construído, em busca de soluções para o habitat humano, de recursos esgotáveis e de soluções e possibilidades para nossas cidades.